segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Resumo – Módulo I – Políticas educacionais da SEE

Resumo – Módulo I – Políticas educacionais da SEE
Você será introduzido nas políticas relativas à carreira docente e ao currículo definido pela Secretaria em 2008, para o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio.
Compreender a política educacional e seus determinantes, situá-la bno contexto nacional, compreender o foco e as prioridades, dominar os fundamentos pedagógicos e legais referentes a carreira e a organização pedagógica da see.

            Fala o que é política, oq eu é política educacional e diz que com a expansão das matrículas houve queda de rendimento e que a maior preocupação hoje é com melhora na qualidade de ensino, preocupação é com o aprendizado do aluno. Em São Paulo o ensino fundamental está universalizado e o médio possui 70% das matrículas líquidas.

        São Paulo – Matrícula e indicadores de qualidade

·                  98,4% das crianças e jovens de 7 a 14 anos frequentam a escola (PNAD 2008)
·                  87% dos jovens de 15 a 17 anos frequentam a escola (Idem)
·                  70% dos jovens de 15 a 17 anos cursam o Ensino Médio (Idem)
·                  No ranking do IDEB 2009, o Estado de São Paulo ocupa a 2ª posição na avaliação do EF Ciclo I, a 1ª posição no EF Ciclo II e a 3ª posição no Ensino Médio.

Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP/2007)


·                  21% dos alunos de 4ª série do EF estão no nível abaixo do básico em Língua Portuguesa;
·                  30% dos alunos de 4ª série do EF estão no nível abaixo do básico em Matemática;
·                  22% dos alunos de 8ª série do EF estão no nível abaixo do básico em Língua Portuguesa;
·                  27% dos alunos de 8ª série do EF estão no nível abaixo do básico em Matemática;
·                  29% dos alunos de 3ª série do EM estão no nível abaixo do básico em Língua Portuguesa;
·                  58% dos alunos de 3ª série do EM estão no nível abaixo do básico em Matemática.
            Secretaria é a maior do brasil e atinge a totalidade da população alvo. Gabinete do Secretário – Conselho Estadual de Educação – Fundação para o Desenvolvimento da Educação – Assistência Técnica de Planejamento e Controle Educacional ATPCE – Escola de Formação de professores – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas CENP – Departamento de Administração – Departamento de Recursos Humanos DRHU -  Departamento de Suprimento Escolar DSE - 
            CEI: 63 diretorias de ensino – Fundamental e médio.
            COGSP: 28 diretorias de ensino – fundamental e médio.
            Secretaria possui programas estruturantes pois servem de arcabouço para tudo o mais em termos de políticas educacionais. Nesse caso há dois grandes eixos dos programas estruturantes: a gestão da carreira (criação da escola, bônus de incentivo e valorização pelo mérito) e o eixo dos padrões curriculares (programa ler e escrever para o ensino fundamental e ciclo I e programa São Paulo faz escola para o ensino fundamental ciclo II e ensino médio). Há um eixo transversal que é o da avaliação (avaliação do desempenho dos alunos- SARESP, avaliação do progresso da escola IDESP, avaliação de competências docentes, concursos de promoção), de forma a quantificar e analisar o andamento das coisas.
            Em 2007 foi implementada um nova agenda da educação com metas para a evolução da SEE. São elas:

            Metas:

·                  Meta 1: Todos os alunos de oito anos plenamente alfabetizados;
·                  Meta 2: Redução de 50% das taxas de reprovação da 8ª série;
·                  Meta 3: Redução de 50% das taxas de reprovação do Ensino Médio;
·                  Meta 4: Implantação de programas de recuperação de aprendizagem nas séries finais de todos os ciclos de aprendizagem (2ª, 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio);
·                  Meta 5: Aumento de 10% nos índices de desempenho dos Ensinos Fundamental e Médio nas avaliações nacionais e estaduais;
·                  Meta 6: Atendimento de 100% da demanda de jovens e adultos de Ensino Médio com currículo profissionalizante diversificado;
·                  Meta 7: Implantação do Ensino Fundamental de nove anos, com prioridade à municipalização das séries iniciais (1ª a 4ª séries);
·                  Meta 8: Programas de formação continuada e capacitação da equipe escolar;
·                  Meta 9: Descentralização e/ou municipalização do programa de alimentação escolar nos 30 municípios ainda centralizados;
·                  Meta 10: Programa de obras e melhorias de infraestrutura das escolas


                       
           


Dirigentes de Ensino

91
Supervisores

1.522
Diretores

5.422
Vice-Diretores

6.004
Professores-Coordenadores
Nas Oficinas Pedagógicas
1.212

Nas escolas
9.020
Docentes

210.336

Professores efetivos
123.575

Professores temporários
84.600

Temporários estáveis
2.161
Total desses profissionais

233.607
Outros profissionais de Educação
Apoio Escolar
45.884
Órgãos Centrais
5.699
Total desses
51.583


ESCOLAS E ALUNOS
Coordenadorias
Escolas
Alunos
COGESP
2.231
2.473.820
CEI
3.169
2.175.549
Total de alunos
5.400
4.649.369


Profissionais    285.190
Alunos            4.649.369

            Há preocupação em saber o que realmente satisfaz em termos de aprendizado. Eixo: escola de formação, valorização por mérito, bônus. Buscar meritocracia. Professor é o que tem mais impacto no aprendizado dos alunos, quem mais precisa aprender é quem ensina, quanto mais bem prepatado for o professor melhor será o ensino, alunos aprendem mais quando o professor é preparado para colocar em ação um currículo para o qual teve preparo, treino. SEE entende que é impossível para a formação inicial dar conta da qualificação para um currículo, isso é mais forte ainda para países como o Brasil que possui base curricular comum mas há fortes diferenças regionais. Há diferença no enfoque, no ordenamento e na seleção de conteúdos. Entende que o curso deve fornecer formação sólida em conteúdos e procedimentos pedagógicos e transposição didática e que essa iniciação do professorado é crucial para seu posterior desempenho na carreira. Cabe á rede preparar o professor para trabalhar o seu currículo específico, tendo como referência as competências que se espera do professor e do aluno dentre a realidade local escolar. O currículo é necessário para grandes redes como a da SEE. A SEE deve ter um espaço institucional próprio para formação inicial e continuada, formação deve ser permanente.

            LDB estipula ingresso por concurso, aperfeiçoamento continuado inclusive com licenciamento remunerado para tal fim, piso salarial profissional, progressão baseada em titulação, desempenho e/ou habilitação, período para estudos, planejamento e avaliação, condições adequadas de trabalho. Estágio probatório em 3 anos com avaliação no final. Tanto a LDB quanto o CNE estipulam avaliação e progressão por desempenho. No âmbito do Estado de São Paulo, também há leis que regulamentam a carreira do professor. A principal delas é o Estatuto do Magistério, Lei Complementar 444/85, e o Estatuto do Funcionalismo Público do Estado, Lei 10.261/68.

Dentro desses marcos legais, a Secretaria organizou o eixo de sua política educacional de gestão da carreira do magistério, no qual inclui-se o Novo Concurso de Ingresso Para Professores (Lei Estadual 1.094/2009).
            SEE afirma que o presente concurso parte de uma seleção baseada em currículo e competêncais e habilidades requeridas. Curso busca ajudar o professor compreender a importãncia e significado do currículo e ver o que ele tem de diferente com relação aos PCNs. Ensinar a interpretar adequadamente o IDEB, como se constroi, para que serve e o que significa para a educação brasileira.
            IDESP, metas para bônus. Quem faltar mais de 1/3 não ganha bônus. 2,4 salários onde alcançaram metas e 2,9 salários onde superaram e o resto proporcional. 167 mil professores ganharam bônus em 2009, 29 mil funcionários. Dos professores, 49% ganharam 2 salários ou mais, 48% dos funcionário ganharam 2 salários ou mais. Em 2010, 177 mil professores ganharam bônus, 63% mais de 2.500; 33 mil funcionário ganharam bônus e 77% mais de 1000. Promoção por mérito: faixa 2 ganha 25% mais que o salário inicial, faixa 3 ganha 50%, faixa 4 ganha 75% e faixa 5 ganha 100% mais que o salário inicial. 4 anos de efetivo exercício, 3 anos de uma faixa pra outra, prova todo ano, promovem 20% dos integrantes de cada faixa, analisa-se pelo exame anual, análise de assiduidade e permanência na escola. De1 pra 2 nota 6, de 2 para 3 nota 7, de 3 pra 4 nota 8 e de 4 pra 5 nota 9. Em 2010, 44.500 foram promovidos e ganharam 25% de aumento. O 20% é calculado sobre o total da categoria. Incentivos se devem a baixa atratividade da carreira, falta de estímulo para a formação, altas taxas de absenteísmo, baixa taxa de fixação, especialmente nas escolas de periferia, pequena amplitude da faixa salarial dos docentes,.
          As políticas eixos dos padrões curriculares: Sâo Paulo Faz Escola e Programa Redefor – curso de especialização para professores e gestores da educação. Estados e municípios que elaboram os seus currículos, por força de lei, dentro dos PCNs. Competências a aprender; Conteúdos que podem apoiar a constituição dessas competências; Organização e sequenciamento dos conteúdos no tempo; Atividades de professores e alunos; Insumos didáticos; Avaliação e recuperação da aprendizagem. O estabelecimento de objetivos de aprendizagem não fica restrito somente aos professores. Currículo surge nos cadernos do professor e do aluno que constituem guia para o ensino/aprendizagem. Eles podem ser adaptados para a realidade cotidiana.
          A gestão do currículo é a adequação das atividades aos objetivos previstos no mesmo. Conta com a participação dos coordenadores e diretores e ainda com apoio dos PCOPs. Demanda avaliação para análise e reatualização de metas. Os cadernos, além do caderno do gestor que traz sugestões de gestão, possuem sugestão de aulas, de avaliação, de materiais complementares e de recuperação, possui indicação das competências e habilidades a serem desenvolvidas. Traz sequências didáticas, nas quais pode se basear, 4 cadernos por ano, sugestão de metodologia de abordagens, temas assuntos, maneiras de complementar, bibliografia de referência. Propostas de exercícios em sala de aula, roteiro para atividade individual e em grupo, roteiro de experimento estudo de campo, lição de casa, textos e imagens de apoio, remissão a outros materiais e remissão a outros livros.

Resumo - Módulo II Profissão professor: dimensão ética e profissional

Módulo II
Profissão professor: dimensão ética e profissional

            O primeiro módulo deu destaque às políticas educacionais nacionais e paulista que concernem aos professores: ingresso, carreira e educação continuada. O segundo módulo pretende algumas características próprias da profissão professor e o papel que ela ocupa no cenário atual. Afirma que a atenção para a formação docente é dada pelos resultados das pesquisas em educação. Tais pesquisas constituem uma série histórica que aponta o papel do professor, mesmo dentre contextos sociais heterogêneos. A família e as condições socioeconômicas possuem vasto impacto, mas o papel do professor é predominate. Não se pode mudar a origem socioeconômica do aluno, mas se pode auxiliar com uma boa educação. A qualidade da profissão depende da relação que o professor estabelece com seus alunos e com as inovações do mundo atual. Há professores que conseguem fazer o aluno avançar independente de critérios de raça, economia e contexto social e há outros que não. Um aluno com professor fraco rende 50% menos que um mesmo aluno com um bom professor (estatístico W.Sanders). Professores dentre os 5% melhores fazem alunos avançarem 1 ano e meio, enquanto professores que se contam entre os 5% piores fazem alunos avançarem apenas meio ano em 12 meses. O professor com o qual o aluno teve aula é determinante para o desempenho. Há um cada vez maior foco e preocupação com relação a atuação docente e qualidade desta atuação. Por isto é importante conhecer e refletir sobre a profissão e o atual contexto em que ela se encontra. Deve-se
- iniciar um processo de reflexão sobre o que é ser professor
- lembrar e questionar nossa experiência como aluno da educação básica
-familiar-se com portifólio e contrato didático, recursos para o curso e para o trabalho com o aluno
-compreender as singularidades que marcam a profissão de professor
-sensibilizar-se para o fato de que a profissão possui suas tensões e seus problemas
De 190 milhões de habitantes, 60 milhões estão na escola. É um para cada 3, um grande contingente com sonhos e esperanças.
Curso aponta Cora Coralina (nasceu no atual município de Goiás, cursou apenas as 4 primeiras séries (com a mestre Silvina) e publicou seu primeiro livro somente aos 76 anos de idade) como mulher que pensou sobre a profissão professor. “Ser Professor é tocar o futuro”.
Módulo pede atividade sobre portifólio questionando o que é portifólio, seus usos e sua história. Há marco sobre o fato de que o homem é um ser de registro e de que o registro acompanha toda a nossa vida. No portifólio usamos o registro como modo de acumular saber/experiências e desenvolvermos um melhor caminhar. Devemos guardar aquilo que é mais importante, que é mais central, mais tocante.
Se o médico não precisa ser doente para se formar, nem o advogado réu para se formar, o professor inelutavelmente passa pela figura do aluno antes de se tornar mestre. Essa experiência como aluno determina em muito a sua prática, uma vez que acaba se inspirando nos professores que teve para formatar a sua própria identidade. Estabelecer uma boa relação com os alunos favorece o lado de quem aprende e de quem ensina. Atividade dois pede para que façamos uma comparação com o que tivemos de professor, o que somos e o que idealizamos da profissão. “não é fácil calçar os sapatos alheios”. O fato de ter sido aluno ajuda a desenvolver no docente a empatia, o sentido de compreensão e comunhão com o outro.
As características do docente se dividem em 4 grandes marcos: Domínios dos conteúdos e dos objetos de aprendizagem: sem domínio de conteúdo, professor não consegue fazer ligação com o passado, com o presente e com a realidade e nem estimular reflexão, inovar. Tornar o assunto vivo, divertido, instigante. Apresentá-lo de forma a ampliar a visão do discente. Capacidade de estimular ou envolver os alunos na aprendizagem: incutir gosto pelo saber, ter sensibilidade para talentos dos alunos, mostrar empenho para que o aluno aprenda, tornar o conteúdo mais atrativo. Capacidade de conduzir o processo de aprendizagem: capacidade de explicar bem, ser comunicativo, fazer aulas diferentes, não deixar dúvidas, fazer-se entendido, entender as dificuldades do aluno e procurar ajudá-lo, desenvolver projetos, levantar questões e temas novos, adotar formas de trabalho diferenciadas. Atitudes e comportamentos pessoais e relacionais: entusiasmo pela matéria, paixão pelo que faz, real interesse pelo aluno e interesse em ajudá-lo, sinceridade e transparência, severidade e exigência, habilidade em lidar com os comportamentos disruptivos.
Contrato Didático: a educação é um serviço de massa e voltada para a reprodução da vida social. A educação possui marcos regulatórios e a profissão também.  Contrato didático inclui o conjunto de normas e regras que permeiam a relação dos alunos e dos professores, as regras das escolas e etc.   Podemos definir contrato didático como a regulamentação, implícita ou explícita, das atividades que se manifestam no contexto escolar de forma intencional. São atividades de cunho pedagógico e planejadas para organizar as aulas com o objetivo de favorecer as aprendizagens.

A tripla relação conhecimento-professor-aluno é pautada por deveres, direitos e expectativas. Essa relação, por mais cuidado que se tome do ponto de vista da comunicação e das intenções didático-pedagógicas, corre sérios riscos de se traduzir em mal-entendido, que torna mais complexo o processo de ensino e de aprendizagem.

Quando utilizado, o contrato didático torna-se um instrumento bastante eficiente para que essa relação ajude o aluno a ter um desempenho escolar bem-sucedido. O contrato didático, por assim dizer, “profissionaliza” essa relação, sistematizando-a, deixando claras as regras do “jogo escolar”.

O contrato didático é hoje um tema presente em muitas publicações pedagógicas e nas normas e parâmetros nacionais oficiais. Em todas elas, o conceito de contrato didático é basicamente o mesmo: regras próprias da escola – ou de um professor e turma específicos que regulam, entre outras coisas, as relações que alunos e professores mantêm com o conhecimento curricular e com as atividades escolares, estabelecendo papéis dos diferentes atores do processo educativo e suas relações no contexto escolar. (MEC, 1999).

O contrato é o que garante o papel de cada um na sala de aula e quando não cumprido por alguma parte pode ser rediscutido ou reelaborado. Mas, se ele estiver posto desde o primeiro dia de aula, é mais fácil para todos desempenharem melhor o seu papel. As regras sempre existiram, mas não eram formalizadas. Ao ocorrer o combinado, a explicitação das regras, consegue atingir um patamar maior de consenso e aceitação. Os envolvidos reconhecem formalmente as suas responsabilidades, embora abranja outras questões, o foco é o de garantir o aprendizado. Deve haver flexibilização, para que as regras não percam sua funcionalidade e passem a ser cumpridas por sí mesmas. Contrato didático não é apenas um cartaz de regras expostas na parede e sim um acordo efetuado entre alunos e professores para garantir o aprendizado. O contrato didático não se limita as regras disciplinares, envolvem a discussão sobre o aprendizado, onde se reconhece que cabe ao professor organizar conteúdos transformando-os em objetos de aprendizagem e cabe aos alunos conseguir alcançar os objetivos pactuados no contrato. O contrato tem que ser negociado, se houve mundanças deve ser novamente negociado e não pode ser ambíguo e pouco tranparente. O aluno está na escola para aprender e este objetivo é inegociável. Muitas vezes demandas disciplinares, assistenciais, lúdicas, emocionais e outras tantas fazem com que se perda o foco na aprendizagem. È necessário que o professor tenha prioridades e objetivos razoáveis que lhe permitam um norte seguro. Quando tudo é previsto e tudo é prioritário, se perde o foco. A família precisa ser trabalhada, informada das aprendizagens e das atividades a serem desenvolvidas.
Um pouco de história da educação:  apresentam que a preocupação em se regular a educação vem desde a antiguidade e citam um trecho de Aristóteles em que ele fala sobre a desorientação sobre a finalidade, formas e conteúdos do ensino.
[...] Fica claro portanto que a legislação deve regular a educação e que esta deve ser obra da cidade. Não se deve deixar no esquecimento qual deve ser a educação e como se há de educar. Nos tempos modernos as opiniões sobre este tema diferem. Não há acordo sobre o que os jovens devem aprender, nem no que se refere à virtude nem quanto ao necessário para uma vida melhor. Tampouco está claro se a educação deveria preocupar-se mais com a formação do intelecto ou do caráter. Do ponto de vista do sistema educativo atual a investigação é confusa, e não há certeza alguma sobre se devem ser praticadas as disciplinas úteis para a vida ou as que tendem à virtude, ou as que se sobressaem do ordinário (pois todas elas têm seus partidários). No que diz respeito aos meios que conduzem à virtude não há acordo nenhum (de fato não honram, todos, a mesma virtude, de modo que diferem logicamente também sobre seu exercício).  Arístóteles – Política.

Na Grécia antiga não havia escola como local fixo, as aulas se davam ao ar livre e a escola fundada por Aristóteles, o Liceu, era chamada de peripatética, que significa, caminhante. No Brasil se usava preceptores, professores livres e os índio frequentaram os colégios jesúitas. Pombal expulsou os jesuítas e famílias ricas traziam gente da Europa para lecionar. Ina Von Binzer foi uma preceptora alemã que veio ao Brasil na década de 1880 trabalhar e escreveu cartas a sua amiga. Ensinava alemão, tinha 22 anos e lecionava para meninas de 19 e tinha que as chamar de Dona, alunas chegavam atrasadas, depois de repreendidas, alunas ficavam quietas e a preceptora achava tudo paralisante.
            Com o tempo, educação deixou a família e depois a igreja e se institucionalizou em escolas. Escola pública é invenção da modernidade, dos Estados nacionais, em que a educação é separada do privado, tirada da igreja e da família e passa a aglutinar os anseios da nova ordem política: laica, básica, pública e gratuita. A universidade surge na idade média, como expressão intelectual de um mundo extremamente hierarquizado. A escola básica e o professorado da educação básica surgem num período em que o ensino se expande para o povo. No brasil as instituiçoes escolares demoraram mais ainda para se desenvolverem. Permaneceram como elemento exclusivo de muito poucos e só depois da vinda de D.João VI que alguma coisa começa a mudar, dado o esforço de desenvolvimento local. Ele cria as primeiras instituições de ensino superior e secundário superior. Os governos regionais e locais é que se encarregam da educação, o princípio da descentralização é forte desde o início. A LDB é uma lei complementar que é um marco por determinar a questão da educação no país. Previa que a educação escolar devia vincular-se à pratica social e ao trabalho e definia como educação um processo formativo que ocorre na família, na escola, na convivência, no trabalho, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade e nas manifestações culturais. A educação escolar é aquela que ocorre em instituições próprias. Ser professor é ensinar na escola. Para Arendt, não se pode educar sem ao mesmo tempo ensinar. Uma educação sem aprendizagem degenera, é vazia e se transforma em méra retórica moral e emocional.
            Ao se institucionalizar, a docência deixa de ser atividade privada e se torna elemento complexo de uma rede complexa, que envolve relação entre gêneros, etárias, entre gerações diferentes. Surge uma estrutura que se hierarquiza, que se burocratiza, que se organiza, que massifica. As relações sociais internas passam a pesar no andamento da profissão docente tão fortemente quanto os grandes marcos regulatórios externos. A escola no Brasil só se universaliza no final do século XX, sempre marcada pela desigualdade e pela hierarquização interna, demorou um longo processo histórico para que a educação se escolarizasse e o mesmo se deu no Brasil. A preocupação com a expansão, com a permanência e com a qualidade, surge mais fortemente na década de 1930, com o manifesto dos pioneiros, com Anísio Teixeira como destaque, autor do Educação Não é Privilégio, onde coloca a importãncia da educação para o desenvolvimento do país e para a democracia. Para ele, a escola pública é a máquina que prepara para a democracia e ela só existirá quando existir tal.
            LDB diz que docente deve se incumbir de proposta pedagógica, plano de trabalho, zelo pela aprendizagem, estratégias de recuperação, ministrar os dias letivos, participar de discussões sobre planejamento e avaliação e formação, ajudar na articulação da escola com a família e a comunidade.
            Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:

I.  participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II.  elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
III.  zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV.  estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V.  ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI.  colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade
            A liberdade de ensinar é sobrepujada pelo direito de aprender. As exigências com relação ao trabalho docente vão mudando no decorrer do tempo. Embora permanência de marcos culturais conservadores, quadros da economia, da tecnologia, da expectativas sociais e outros mais vão impondo mudanças sociais com as quais a educação tem que lidar, causando mudanças educacionais mais ou menos profundas. O ensino, a aprendizagem e a gestão da sala de aula estão sendo afetados por mudanças causados pela nova sociedade da informação, que requer mudanças estruturais e curriculares a respeito do ensino. A LDB centrou foco nas competências, assim, os conteúdos curriculares não possuem valor em sí mesmos, mas são mais voltados para o desenvolvimento das competências. LDB demorou de 1988 até 1996 para ser aprovada, ficou 8 anos em discussão e sofreu influência do debate que ocorreu nos E.U.A e Europa. LDB e Diretrizes Curriculares Nacionais é que estabelecem as competências.
            LDB: aluno no final do médio deve compreender o significado das ciências, das artes e das letras. Compreender o significado de uma ciência é diferente de tratá-la como disciplina, somente. A definição de currículo retoma a autonomia da escola em trabalhar as aprendizagens que são previstas pela lei, também, autonomia em fazer a ponte entre o currículo e a realidade, se aproveitar da diversidade de recursos e tratamentos possíveis, e também autonomia na gestão da aprendizagem para diagnosticar e recuperar problemas. Competências, currículo, autonomia.
            Educação atual sofre com a falta de qualidade devido a expansão do ensino que colocou milhões de crianças que são as primeiras da família a ultrapassar os primeiros 4 anos de escolaridade. Existem quase 1.900.000 professores de educaçao básica no Brasil, dos quais 80% são mulheres e estão entre 24 e 48 anos. A crise da educação derrubou a imagem do professorado. No início do século XX, ser professor correspondia a ser magistrado. 

sábado, 13 de novembro de 2010

Responsabilização em educação

FSP 13/11/2010


FERNANDO VELOSO 

Responsabilização em educação

As experiências no Brasil são promissoras, mas é preciso levar em conta algumas dificuldades


COM O OBJETIVO de elevar o aprendizado dos alunos, vários países em desenvolvimento implantaram programas de reforma educacional nas últimas duas décadas. Mesmo países desenvolvidos com desempenho insatisfatório, como os Estados Unidos, têm introduzido mudanças profundas em seu sistema educacional.
O conceito de responsabilização é central nas experiências de reforma educacional. A ideia é fazer com que os atores envolvidos no processo educacional sejam cobrados pelo desempenho dos alunos e, dessa forma, sejam criados incentivos para a melhoria do aprendizado.
Uma maneira de fazer isso é através da divulgação pública das notas das escolas em exames padronizados, com o objetivo de gerar pressão por parte de pais e gestores sobre as escolas com piores resultados.
Em geral, no entanto, são introduzidos mecanismos explícitos de recompensas e punições atrelados às metas educacionais, como a concessão de bônus para os professores de escolas que elevam o aprendizado de seus alunos.
No Brasil, foi criado em 2007 um sistema de responsabilização nacional, que estabeleceu metas de desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para cada escola pública, município e unidade da Federação até 2021.
Também foram criadas metas intermediárias a cada dois anos, para que seja acompanhada a trajetória em direção ao cumprimento das metas de longo prazo.
Além disso, nos últimos anos foram criados sistemas de responsabilização em alguns Estados e municípios. Em 2008, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo criou o Programa de Qualidade na Escola.
Foram estabelecidas metas de desempenho para cada escola estadual até 2030, às quais estão associadas metas anuais. Além disso, foi implantado um sistema de bônus de desempenho para diretores, professores e funcionários, associado ao cumprimento das metas.
No mesmo ano, foram criadas metas para cada escola estadual de Pernambuco e foi instituído o programa de Bônus de Desempenho Educacional, que premia escolas que cumpram pelo menos 50% da meta. Para as escolas que atingem mais de 50% da meta, o bônus é proporcional ao grau de cumprimento. Além disso, o valor total a ser pago é fixo, de modo que o valor recebido por uma escola depende do desempenho das outras escolas.
O sistema de metas e premiação de desempenho escolar de Minas Gerais está inserido num contexto mais amplo de reforma do Estado, através do programa Acordo de Resultados.
No caso da educação, os prêmios dependem do cumprimento das metas da escola, de sua superintendência regional de ensino e da Secretaria de Educação. Desde o início de 2009, iniciativas similares têm sido adotadas na rede municipal de educação do Rio de Janeiro. Foi criada a Prova Rio, uma avaliação externa anual de todas as escolas municipais, e foi implementado um sistema de premiação de diretores, professores e funcionários das escolas que obtiveram melhores resultados.
As experiências de responsabilização no Brasil são promissoras, mas é preciso levar em conta algumas dificuldades e alguns detalhes no desenho desse tipo de sistema. Por exemplo, é preciso que o exame avalie de forma adequada as competências cognitivas que os alunos devem adquirir em cada série e nível de ensino.
Além disso, deve ser levado em conta que as notas dos alunos em exames padronizados são muito relacionadas às características socioeconômicas de suas famílias, como renda e educação dos pais. Para que os responsáveis por bons resultados sejam premiados de forma adequada, é preciso que seja considerada a contribuição da escola para o desempenho do aluno.
Finalmente, para que os incentivos sejam eficazes, é preciso que os professores tenham a formação adequada para melhorar o desempenho dos alunos.
Para isso, é preciso alinhar os programas de formação inicial e continuada com o conjunto de competências que os professores precisam adquirir para cumprir as metas de aprendizado dos alunos.


FERNANDO VELOSO, 43, economista e professor do Ibmec/RJ, escreve mensalmente neste espaço, aos sábados.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Por Mais Impostos

VLADIMIR SAFATLE




Por mais impostos



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A tributação brasileira não é a mais alta do mundo; se ela merece algum prêmio, é o de carga mais injusta

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TODAS AS VEZES que uma campanha eleitoral se inicia, a sociedade brasileira é invadida pelo eterno mantra a respeito da reforma tributária. Como todo mantra, ele gira em torno de uma nota só: a carga tributária brasileira é inaceitável, é a "maior do mundo", o cidadão brasileiro é obrigado a subsidiar um Estado gastador e corrupto, e por aí vai. No entanto, qualquer pessoa que realmente leve a sério problemas tributários sabe que tais afirmações são simplesmente falsas.

Primeiro, a carga tributária brasileira não é a mais alta do mundo.

Uma comparação honesta com países como França e Alemanha serve para desmistificar o mantra. Se há algum prêmio que a tributação brasileira merece é, na verdade, o de carga mais injusta. Como a base da arrecadação está vinculada a tributos sobre consumo e produção, são as pessoas de menor renda que acabam sentindo mais o peso dos impostos. Enquanto isto, um banqueiro paga a mesma porcentagem de Imposto de Renda que um miserável professor, ou seja, 27,5%.

Neste sentido, qualquer discussão séria a respeito da reforma tributária deveria começar por propostas que visassem, paulatinamente, substituir as tributações sobre consumo e produção por tributações progressivas sobre renda.

Este seria um capítulo fundamental para a implementação de políticas concretas de combate à desigualdade social.

Tal substituição passa, entre outras coisas, pelo aumento de impostos para os 2% mais ricos da população, assim como criação de mecanismos como impostos sobre grandes fortunas, impostos sobre herança e impostos sobre consumo de luxo. Ela passa, também, pela retomada de impostos como a CPMF: talvez o imposto mais justo criado no Brasil, já que tributa mais aqueles que têm grandes operações financeiras e visa subvencionar programas sociais. Neste sentido, talvez seja o caso de dizer: no Brasil, precisamos de mais impostos para os ricos e mais benefícios sociais para os pobres.

É claro que haverá aqueles que se indignarão afirmando que o Estado é mau gerente, que comparar os impostos no Brasil e em países europeus é desonesto, já que tais países oferecem serviços sociais de qualidade a seus cidadãos.

Bem, sobre o segundo ponto, valeria a pena simplesmente lembrar que eles podem fornecer tais serviços exatamente porque os impostos são altos. Além do que, em um país continental como o Brasil, onde, por exemplo, criar um sistema público de saúde significa desenvolver uma estrutura logístico-gerencial para um território com a extensão de toda a Europa (à exceção da Rússia), não haverá melhoria dos serviços públicos sem grandes investimentos estatais.

Por outro lado, a criação de um corpo gerencial estatal de alto nível e estável deve ser visto como um dos grandes desafios da política de nosso tempo. Mas não é pregando o desmonte do Estado que faremos isto. Até porque o mundo seria muito mais simples se problemas gerenciais fossem apanágio apenas do Estado. Pelo que se sabe, Lehman Brothers, Citibank, AIG, General Motors não são nem eram exatamente empresas estatais.







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VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP
 
 
FSP/ 06/09/2010

domingo, 22 de agosto de 2010

Resumo do módulo II - Curso de Formação

                                                                      
O primeiro módulo deu destaque às políticas educacionais nacionais e paulista que concernem aos professores: ingresso, carreira e educação continuada. O segundo módulo pretende algumas características próprias da profissão professor e o papel que ela ocupa no cenário atual. Afirma que a atenção para a formação docente é dada pelos resultados das pesquisas em educação. Tais pesquisas constituem uma série histórica que aponta o papel do professor, mesmo dentre contextos sociais heterogêneos. A família e as condições socioeconômicas possuem vasto impacto, mas o papel do professor é predominate. Não se pode mudar a origem socioeconômica do aluno, mas se pode auxiliar com uma boa educação. A qualidade da profissão depende da relação que o professor estabelece com seus alunos e com as inovações do mundo atual. Há professores que conseguem fazer o aluno avançar independente de critérios de raça, economia e contexto social e há outros que não. Um aluno com professor fraco rende 50% menos que um mesmo aluno com um bom professor (estatístico W.Sanders). Professores dentre os 5% melhores fazem alunos avançarem 1 ano e meio, enquanto professores que se contam entre os 5% piores fazem alunos avançarem apenas meio ano em 12 meses. O professor com o qual o aluno teve aula é determinante para o desempenho. Há um cada vez maior foco e preocupação com relação a atuação docente e qualidade desta atuação. Por isto é importante conhecer e refletir sobre a profissão e o atual contexto em que ela se encontra. Deve-se
- iniciar um processo de reflexão sobre o que é ser professor
- lembrar e questionar nossa experiência como aluno da educação básica
-familiar-se com portifólio e contrato didático, recursos para o curso e para o trabalho com o aluno
-compreender as singularidades que marcam a profissão de professor
-sensibilizar-se para o fato de que a profissão possui suas tensões e seus problemas
De 190 milhões de habitantes, 60 milhões estão na escola. É um para cada 3, um grande contingente com sonhos e esperanças.
Curso aponta Cora Coralina (nasceu no atual município de Goiás, cursou apenas as 4 primeiras séries (com a mestre Silvina) e publicou seu primeiro livro somente aos 76 anos de idade) como mulher que pensou sobre a profissão professor. “Ser Professor é tocar o futuro”.
Módulo pede atividade sobre portifólio questionando o que é portifólio, seus usos e sua história. Há marco sobre o fato de que o homem é um se de registro e de que o registro acompanha toda a nossa vida. No portifólio usamos o registro como modo de acumular saber/experiências e desevolvermos uma melhor caminhar. Devemos guardar aquilo que é mais importante, que é mais central, mais tocante.
Se o médico não precisa ser doente para se formar, enm o advogado réu para se formar, o professor inelutavelmente passa pela figura do aluno antes de se tornar mestre. Essa experiência como aluno determina em muito a sua prática, uma vez que acaba se inspirando nos professores que teve para formatar a sua própria identidade. Estabelecer uma boa relação com os alunos favorece o lado de quem aprende e de quem ensina. Atividade dois pede para que façamos uma comparação com o que tivemos de professor, o que somos e o que idealizamos da profissão. “não é fácil calçar os sapatos alheios”. O fato de ter sido professor ajuda a desenvolver no professor a empatia, o sentido de compreensão e comunhão com o outro.
As características do docente se dividem em 4 grandes marcos: Domínios dos conteúdos e dos objetos de aprendizagem: sem domínio de conteúdo, professor não consegue fazer ligação com o passado, com o presente e com a realidade e nem estimular reflexão, inovar. Tornar o assunto vivo, divertido, instigante. Apresentá-lo de formar a ampliar a visão do discente. Capacidade de estimular ou envolver os alunos na aprendizagem: incutir gosto pelo saber, ter sensibilidade para talentos dos alunos, mostrar empenho para que o aluno aprenda, tornar o conteúdo mais atrativo. Capacidade de conduzir o processo de aprendizagem: capacidade de explicar bem, ser comunicativo, fazer aulas diferentes, não deixar dúvidas, fazer-se entendido, entender as dificuldades do aluno e procurar ajudá-lo, desenvolver projetos, levantar questões e temas novos, adotar formas de trabalho diferenciadas. Atitudes e comportamentos pessoais e relacionais: entusiasmo pela matéria, paixão pelo que faz, real interesse pelo aluno e interesse em ajudá-lo, sinceridade e transparência, severidade e exigência, habilidade em lidar com os comportamentos disruptivos.
Contrato Didático: a educação é sum serviço de massa e voltada para a reprodução da vida social. A educação possui marcos regulatórios e a profissão também. Contrato didático inclui o conjunto de normas e regras que permeiam a relação dos alunos e dos professos, as regras das escolas e etc. Podemos definir contrato didático como a regulamentação, implícita ou explícita, das atividades que se manifestam no contexto escolar de forma intencional. São atividades de cunho pedagógico e planejadas para organizar as aulas com o objetivo de favorecer as aprendizagens.

A tripla relação conhecimento-professor-aluno é pautada por deveres, direitos e expectativas. Essa relação, por mais cuidado que se tome do ponto de vista da comunicação e das intenções didático-pedagógicas, corre sérios riscos de se traduzir em mal-entendido, que torna mais complexo o processo de ensino e de aprendizagem.

Quando utilizado, o contrato didático torna-se um instrumento bastante eficiente para que essa relação ajude o aluno a ter um desempenho escolar bem-sucedido. O contrato didático, por assim dizer, “profissionaliza” essa relação, sistematizando-a, deixando claras as regras do “jogo escolar”.

O contrato didático é hoje um tema presente em muitas publicações pedagógicas e nas normas e parâmetros nacionais oficiais. Em todas elas, o conceito de contrato didático é basicamente o mesmo: regras próprias da escola – ou de um professor e turma específicos que regulam, entre outras coisas, as relações que alunos e professores mantêm com o conhecimento curricular e com as atividades escolares, estabelecendo papéis dos diferentes atores do processo educativo e suas relações no contexto escolar. (MEC, 1999).

O contrato é o que garante o papel de cada um na sala de aula e quando não cumprido por alguma parte pode ser rediscutido ou reelaborado. Mas, se ele estiver posto desde o primeiro dia de aula, é mais fácil para todos dsempenharem melhor o seu papel. As regras sempre existiram, mas não eram formalizadas. Ao ocorrer o combinado, a explicitação das regras, consegue atingir um patamar maior de consenso e aceitação. Os envolvidos reconhecem formalmente as suas responsabilidades, embora abranja outras questões, o foco é o de garantir o aprendizado. Deve haver flexibilização, para que as regras não percam sua funcionalidade e passem a ser cumpridas por sí mesmas. Contrato didático não é apenas um cartaz de regras expostas na parede e sim um acordo efetuado entre alunos e professores para garantir o aprendizado. O contrato didático não se limita as regras disciplinares, envolvem a discussão sobre o aprendizado, onde se reconhece que cabe ao professor organizar conteúdos transformando-os em objetos de aprendizagem e cabe aos alunos conseguir alcançar os objetivos pactuados no contrato. O contrato tem que ser negociado, se houve mundanças deve ser novamente negociado e não pode ser ambíguo e pouco tranparente. O aluno está na escola para aprender e este objetivo é inegociável. Muitas vezes demandas disciplinares, assistenciais, lúdicas, emocionais e outras tantas fazem com que se perda o foco na aprendizagem. È necessário que o professor tenha prioridades e objetivos razoáveis que lhe permitam um norte seguro. Quando tudo é previsto e tudo é prioritário, se perde o foco. A família precisa ser trabalhada, informada das aprendizagens e das atividades a serem desenvolvidas.
Um pouco de história da educação: apresentam que a preocupação em se regular a educação vem desde a antiguidade e citam um trecho de Aristóteles em que ele fala sobre a desorientação sobre a finalidade, formas e conteúdos do ensino.
[...] Fica claro portanto que a legislação deve regular a educação e que esta deve ser obra da cidade. Não se deve deixar no esquecimento qual deve ser a educação e como se há de educar. Nos tempos modernos as opiniões sobre este tema diferem. Não há acordo sobre o que os jovens devem aprender, nem no que se refere à virtude nem quanto ao necessário para uma vida melhor. Tampouco está claro se a educação deveria preocupar-se mais com a formação do intelecto ou do caráter. Do ponto de vista do sistema educativo atual a investigação é confusa, e não há certeza alguma sobre se devem ser praticadas as disciplinas úteis para a vida ou as que tendem à virtude, ou as que se sobressaem do ordinário (pois todas elas têm seus partidários). No que diz respeito aos meios que conduzem à virtude não há acordo nenhum (de fato não honram, todos, a mesma virtude, de modo que diferem logicamente também sobre seu exercício). Arístóteles – Política.

Na Grécia antiga não havia escola como local fixo, as aulas se davam ao ar livre e a escola fundada por Aristóteles, o Liceu, era chamada de peripatética, que significa, caminhante. No Brasil se usava preceptores, professores livres e os índio frequentaram os colégios jesúitas. Pombal expulsou os jesuítas e famílias ricas traziam gente da Europa para lecionar. Ina Von Binzer foi uma preceptora alemã que veio ao Brasil na década de 1880 trabalhar e escreveu cartas a sua amiga. Ensinava alemão, tinha 22 anos e lecionava para meninas de 19 e tinha que as chamar deDona, alunas chegavam atrasadas, depois de repreendidas, alunas ficavam quietas e a preceptora achava tudo paralisante.
Com o tempo, educação deixou a família e depois a igreja e se institucionalizou em escolas. Escola pública é invenção da modernidade, dos Estados nacionais, em que a educação é separada do privado, tirada da igreja e da família e passa a aglutinar os anseios da nova ordem política: laica, básica, pública e gratuita. A universidade surge na idade média, como expressão intelectual de um mundo extremamente hierarquizado. A escola básica e o professorado da educação básica surgem num período em que o ensino se expande para o povo. No brasil as instituiçoes escolares demoraram mais ainda para se desenvolverem. Permaneceram como elemento exclusivo de muito poucos e só depois da vinda de D.João VI que alguma coisa começa a mudar, dado o esforço de desenvolvimento local. Ele cria as primeiras instituições de ensino superior e secundário superior. Os governos regionais e locais é que se encarregam da educação, o princípio da descentralização é forte desde o início. A LDB é uma lei complementar que é um marco por determinar a questão da educação no país. Previa que a educação escolar devia vincular-se à pratica social e ao trabalho e definia como educação um processo formativo que ocorre na família, na escola, na convivência, no trabalho, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade e nas manifestações culturais. A educação escolar é aquela que ocorre em instituições próprias. Ser professor é ensinar na escola. Para Arendt, não se pode educar sem ao mesmo tempo ensinar. Uma educação sem aprendizagem degenera, é vazia e se transforma em méra retórica moral e emocional.
Ao se institucionalizar, a docência deixa de ser atividade privada e se torna elemento complexo de uma rede complexa, que envolve relação entre gêneros, etárias, entre gerações diferentes. Surge uma estrutura que se hierarquiza, que se burocratiza, que se organiza, que massifica. As relações sociais internas passam a pesar no andamento da profissão docente tão fortemente quanto os grandes marcos regulatórios externos. A escola no Brasil só se universaliza no final do século XX, sempre marcada pela desigualdade e pela hierarquização interna, demorou um longo processo histórico para que a educação se escolarizasse e o mesmo se deu no Brasil. A preocupação com a expansão, com a permanência e com a qualidade, surge mais fortemente na década de 1930, com o manifesto dos pioneiros, com Anísio Teixeira como destaque, autor do Educação Não é Privilégio, onde coloca a importãncia da educação para o desenvolvimento do país e para a democracia. Para ele, a escola pública é a máquina que prepara para a democracia e ela só existirá quando existir tal.
LDB diz que docente deve se incumbir de proposta pedagógica, plano de trabalho, zelo pela aprendizagem, estratégias de recuperação, ministrar os dias letivos, participar de discussões sobre planejamento e avaliação e formação, ajudar na articulação da escola com a família e a comunidade.
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:

I. participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II. elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
III. zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV. estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade
A liberdade de ensinar é sobrepujada pelo direito de aprender. As exigências com relação ao trabalho docente vão mudando no decorrer do tempo. Embora permanência de marcos culturais conservadores, quadros da economia, da tecnologia, da expectativas sociais e outros mais vão impondo mudanças sociais com as quais a educação tem que lidar, causando mudanças educacionais mais ou menos profundas. O ensino, a aprendizagem e a gestão da sala de aula estão sendo afetados por mudanças causados pela nova sociedade da informação, que requer mudanças estruturais e curriculares a respeito do ensino. A LDB centrou foco nas competências, assim, os conteúdos curriculares não possuem valor em sí mesmos, mas são mais voltados para o desenvolvimento das competências. LDB demorou de 1988 até 1996 para se aprovada, ficou 8 anos em discussão e sofreu influência do debate que ocorreu nos E.U.A e Europa. LDB e Diretrizes Curriculares Nacionais é que estabelecem as competências.
LDB: aluno no final do médio deve compreender o significado do das ciências, das artes e das letras. Compreender o significado de uma ciência é diferente de tratá-la como disciplina, somente. A definição de currículo retoma a autonomia da escola em trabalhar as aprendizagem que são previstas pela lei, também, autonomia em fazer a ponte entre o currículo e a realidade, se aproveitar da diversidade de recursos e tratamentos possíveis, e também autonomia na gestão da aprendizagem para diagnosticar e recuperar problemas. Competências, currículo, autonomia.
Educação atual sofre com a falta de qualidade devido a expansão do ensino que colocou milhões de crinanças que são as primeiras da família a ultrapassar os primeiros 4 anos de escolaridade. Existem quase 1.900.000 professores de educaçao básica no Brasil, dos quais 80% são mulheres e estão entre 24 e 48 anos. A crise da educação derrubou a imagem do professorado. No início do século XX, ser professor correspondia a ser magistrado.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mais perveersão na educação brasileira

Mais perversão na educação brasileira


NAOMAR DE ALMEIDA FILHO





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A maioria pobre não somente financia a educação superior mas também subsidia a educação básica privada da minoria social privilegiada

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Na sociedade contemporânea, cada vez mais complexa e diversificada, formação universitária aparece como fator de ascensão social.

Neste Brasil de absurdos e iniquidades, educação superior supostamente implica uma profunda perversão social.

Eis o argumento: no nível básico de ensino, aos pobres, por seu reduzido poder econômico, resta a rede pública, com precária infraestrutura e docentes desmotivados por baixos salários.

Ao contrário, as camadas médias e altas da sociedade, por capacidade financeira própria, financiam a educação de seus jovens em escolas privadas, com melhores condições de vencer o filtro competitivo do vestibular.

Nas universidades públicas, recebem gratuitamente educação superior de qualidade, enquanto os pobres são obrigados a pagar caro em instituições privadas.

Essa análise oculta dois equívocos e uma falácia.

O primeiro equívoco refere-se ao conceito de gratuidade, como se pudesse existir alguma atividade, realizada com eficiência, sem custos estruturais e operacionais.

A universidade pública, dada sua missão social de excelência acadêmica, é cara e longe está de ser gratuita. É, de fato, pré-paga pelo orçamento público, constituído por impostos, taxas e também por contribuições sociais.

O segundo equívoco é achar que, "por capacidade financeira própria", as classes abonadas preparam seus jovens para ter acesso à universidade pública.

Isso não é verdade. No Brasil, importante parcela das despesas educacionais retorna às famílias com maior nível de renda sob a forma de descontos e restituição de impostos; dessa forma, enorme (mas oculta) renúncia fiscal subsidia a educação privada de seus filhos, o que lhes facilita predominar na educação superior pública.

A falácia encontra-se na premissa de que o Estado é sustentado por toda a sociedade, igualmente.

A estrutura tributária brasileira é, em si, importante fator de desigualdade social. Proporcionalmente à renda, os pobres contribuem para custear a máquina estatal, em todos os níveis e setores de governo, mais do que contribuintes de melhor situação econômica.

Dados do Ipea revelam que os mais pobres pagam 49 % de sua renda em impostos, enquanto os mais ricos contribuem com apenas 26 % da sua receita.

Ciclo vicioso, tripla perversão social. A maioria pobre não só financia a educação superior mas também subsidia a educação básica privada da minoria social privilegiada, que, não fossem as ações afirmativas, ocuparia a maior parte das vagas públicas.

Do ponto de vista da reprodução social, a formação daqueles oriundos da classe social detentora de poder político e econômico se dá, nas universidades públicas, em carreiras de maior retorno financeiro e prestígio social.

Por analogia ao conceito de mais-valia, a ideia de mais-perversão pode ser útil para entender e ajudar a superar a iniquidade social que tanto nos envergonha.

O estancamento da renúncia fiscal de despesas escolares contribuirá para resgatar a dívida social da educação, entrave ao desenvolvimento econômico e humano de nosso país.







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NAOMAR DE ALMEIDA FILHO, doutor em epidemiologia, pesquisador 1-A do CNPq, é reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e membro do Observatório da Equidade do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).

 
20/07/2010 FSP

Religião não segura casamento

Religião não evita fim do casamento


Proporção de mulheres separadas praticamente não se altera conforme opção de igreja, aponta pesquisa



Sucesso da união está mais ligado a fatores como distribuição das tarefas familiares e domésticas entre o casal



HÉLIO SCHWARTSMAN

ARTICULISTA DA FOLHA



O que Deus uniu o homem separa. Um cruzamento entre dados de estado conjugal e religião realizado pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp a pedido da Folha mostra que a fé não segura casamentos.

A proporção das mulheres separadas, desquitadas ou divorciadas de cada igreja é muito similar à distribuição das crenças pela população.

A base utilizada foi a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, de 2006, do Ministério da Saúde e abarca mulheres em idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos).

Se é relativamente fácil constatar que a fé não mantém casais unidos, bem mais difícil é descobrir o que o faz.

Segundo a pesquisadora Joice Melo Vieira, que cruzou os dados, estudos no Brasil e no exterior mostram que a preocupação é estar em relações satisfatórias. Como a separação já não é tão estigmatizada, o fim da união é sempre uma possibilidade quando as coisas vão mal.

No final, relata Vieira, o que faz casais à beira da separação pensarem duas vezes são a situação dos filhos e a questão financeira. Como hoje mais mulheres trabalham, a dependência econômica não segura mais o casamento. Já os filhos o fazem apenas por tempo limitado.

Estudos europeus apontam que durante a gravidez e o primeiro ano de vida da criança é mais baixa a chance de os pais se separarem.

Mas, à medida que os filhos crescem, esse deixa de ser um fator importante, e a probabilidade de separação volta a ser igual à de casais que nunca tiveram filhos.



RELAÇÃO IGUALITÁRIA

Embora não haja uma receita para o sucesso da união, existem fatores preponderantes. O mais eficiente é a distribuição das tarefas familiares e domésticas entre o homem e a mulher. Quanto mais igualitária for, menores são os riscos de ruptura.

A maioria dos religiosos ouvidos pela Folha não se surpreendeu com os dados.

Para o padre Eduardo Henriques, a religião "entra em diálogo com outros elementos da cultura e há níveis diferentes de adesão à fé". Há desde o sujeito que se casa na igreja só para contentar a família até os que realmente creem no sacramento.

O pastor batista Adriano Trajano é mais veemente: "Religião não segura nada. O casamento deve estar seguro por amor, confiança, caráter e dedicação. Nenhuma dessas virtudes é conferida pela religião. O indivíduo precisa ser educado nelas".

Marcos Noleto, teólogo adventista, diz que o abismo entre teoria e prática vai além do casamento: "Em números redondos: só 20% são dizimistas; 30% frequentam os cultos do meio de semana".

Uma exceção parcial é o pastor luterano Waldemar Garcia Jr.: "As estatísticas podem até afirmar algo diferente, mas vejo que a religião auxilia na manutenção saudável das relações. Temos um trabalho de aconselhamento, com função preventiva".



Folha, 22/07/2010